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11/01/2012

Tilda é Tilda!






O tema já foi abordado nos cinemas diversas vezes, e é incrível como cada diretor consegue exprimir sucos diferentes das mesma laranja. "Nós Precisamos Falar Sobre Kevin" de Lynne Ramsay narra a história da relação de uma mãe com um filho que com comportamentos estranhos e dissimulados desde pequeno se revela um assassino na adolescência e as conseqüências de seus atos irão repercutir diretamente na vida da protagonista. Tilda Swinton faz o papel da perturbada mãe e consegue uma atuação primorosa e sem exageros e que nesse começo de ano já renderam várias indicações de melhor atriz, sem modéstia. Tilda é de longe umas das melhores e mais instigantes atrizes de sua geração, com uma estética extremamente contemporânea e andrógina, Swinton não usa desses artifícios para crescer, sua simplicidade e minimalismo são o que a torna especial. "Nós Precisamos Falar Sobre Kevin" conta com uma ótima edição e trilha e alguns recursos visuais que completam a atmosfera do filme, mas sem dúvida é Tilda a carta na manga, e que carta! Dizem que o livro de Lionel Shriver em que filme foi baseado é tão bom quanto, ou seja, vale a dica dos dois!

26/12/2011

BEST OF!


Como de costume, todo final de ano surge no mundo virtual inúmeras listas de melhores e piores do ano. Aqui no Plie já virou tradição a nossa lista dos melhores filmes que assistimos no decorrer do ano. É claro que deixamos de ver muita coisa boa que sabíamos que poderia ter entrado mas tempo é sempre o grande vilão e nos impossibilita de fazer tudo o que gostaríamos. A maioria dos filmes da lista foram citados aqui no blog no ano de 2011 e agora segue todos eles em ordem de importância e claro, gosto! Divirtam-se e bom filme!


1- Drive - Nicolas Winding Refn
2- A Pele Que Habito - Pedro Almodóvar
3- O Homem ao Lado - Mariano Cohn e Gastón Duprat

4- Melancholia -  Lars Von Trier

5- Meia Noite Em Paris - Woody Allen

6- Incêndios - Denis Villeneuve

7- A árvore da Vida - Terrence Malick

8- Sleeping Beauty - Julia Leigh

9- Cópia Fiel - Abbas Kiarostami

10 -Begginers - Mike Mills


21/12/2011

Espelho de nós mesmos!





"A Outra Terra" é o típico filme indie, da história até a forma. O estreante na direção, o americano Mike Cahill, fez um filme sério, consciente e intrigante. Sua câmera na mão e o uso excessivo de zooms marcam uma forma autoral de filmar, típica de filmes independentes e mais do que isso, de diretores que, sem tanta pressão, conseguem mais liberdade ao filmar. "A Outra Terra" conta a história de Rhoda, interpretada incrivelmente por Brit Marling, uma jovem estudante de astrologia que por um discuido ao ver o céu acaba colidindo seu carro em uma família, levando todos a morte e ao coma do pai da família. Presa durante 4 anos Rhoda é solta e começa sua saga para tentar se redimir e se desculpar com o homem, que acordado do coma vive agora em depressão. Tudo isso soa batido e sem graça se não fosse o fato de que um outro planeta Terra, a quatro anos atrás, fora descoberto e que na verdade é um espelho do nosso, criando assim dúvidas e indagações a respeito de cada habitante e principalmente dos personagens centrais. Com uma belíssima fotografia e um trilha forte, "A Outra Terra" é um filme intrigante em conteúdo e belo em sua forma. Vencedor do festival de Sundance desse ano, o diretor Mike Cahill ainda tem muito a dizer. Recomendado!



15/12/2011

Filmaço!








Enquanto filhos é impressionante como não nos importa o passado de nossos pais. Somos egoístas ao ponto de desacreditarmos que nossos progenitores tiveram vidas antes de nós, tiveram histórias, e isso é uma grande bobagem mas que nos choca de uma maneira ou de outra quando descobrimos que eles não são quem pensávamos que fossem, para o bem ou para o mal. Incêndios é um filme canadense que conta a história de dois irmãos que na morte da mãe recebem uma tarefa de entregarem duas cartas, uma para o pai que até então eles achavam que estava morto e a outra pra um irmão que eles também não sabiam que existia. Com isso a história se desenrola na busca por esses parentes, e mais do que isso, na busca pela identidade dos filhos, no conhecimento real da história da mãe e de um país que eles se quer conheceram. Alternando em vários momentos da história do Líbano durante seus 40 anos de guerra religiosa e atrocidades, o filme nos conduz a um universo devastado pela sujeira e pelo preconceito, através de uma fotografia magistral e uma direção de arte que beira o angustiante. A música do Radiohead aqui serve como ponte para os tempos modernos e que nele será desvendado o mistério de maneira surpreendente e intensa que mudará a vida dos irmão para sempre.

01/12/2011

Hedi's Photos

















Hedi Slimane para nós sempre foi uma referência de modernidade. Assumiu a Dior Homme durante anos e revolucionou a moda masculina desde que incorporou o shape skinny ao guarda roupa dos homens, o deixando sexy, jovem e cool. Sua estética moderna e quase sempre com referência rocker, nos deixou desolados quando a casa decidiu colocar Kris Van Ache em seu lugar na Dior. Com isso Hedi abriu sua própria marca e consequentemente entrou no mundo da fotografia criando imagens lindas e fortes. Retratos, estética dark e preto & branco são alguns elementos presentes em suas imagens, e algumas das mais famosas fotos de Lady Gaga foi Hedi quem fez, inclusive a icônica capa The Fame Monster. Selecionamos aqui algumas que mais gostamos e você pode conferir todas no seu site.

28/11/2011

O melhor filme do ano!




O final do ano sempre nos rende grandes surpresas. Se no decorrer do ano o cinema mostra poucos títulos significativos, parece que nos últimos meses tudo muda e conseguimos ver grandes obras, que no final das contas faz o ano valer. Drive é um filme que surpreende. Dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, o filme conta a história de um anti-herói, dublê de filmes de ação, mecânico nas horas vagas e ótimo motorista mas que não tem história e que vive do seu presente, e é nesse presente que ele se mostra mais vivo e latente. Estrelado por Ryan Gosling (talvez hoje o melhor ator da sua geração) Drive é um ótimo estudo de personagem e consegue contar uma história com todas as referências do cinema americano que fizeram sucesso nos anos 80 mas que hoje, por mil motivos, já se encontra batido. É como se a câmera de Kubrick encontrasse a violência de Tarantino, só que sem o humor e tomasse um café com a realidade crua de Gaspar Noé, ou seja, a excelência na direção de Nicolas beira a perfeição. Com seus ótimos planos seqüências, sua estética fetichista e bem cuidada e a trilha com o mood certo, faz de Drive um filme moderno, muito moderno mas com perfume oitentista. O timming é perfeito e consegue desenrolar sua trama com facilidade e naturalidade, nada soa forçado ou pedante, o estilo cresce aos olhos e a excelente direção é comprovada quando nesse ano ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Drive é o melhor filme do ano e Ryan é sem dúvida nenhuma, O CARA!

17/11/2011

A busca pela identidade




Poucos artistas conseguem não somente criar obras incríveis mas também se tornarem um estilo. Almodóvar é um deles e conseguiu através de seu trabalho e personalidade criar um universo tão particular e inconfundível que tornou o cineasta não americano mais importante da atualidade, Almodóvar é agora adjetivo. Dividida claramente em duas partes, a filmografia de Almodóvar fala sempre das mesmas coisas porém se refinando a cada novo filme. Desde "A Flor do Meu Segredo" de 95 que o cineasta manera no trash  e se aventura a deixar seu cinema mais elegante, e de fato consegue. Seu novo filme resgata suas características mais marcantes:  as cores, o desejo, o mix de gêneros, maternidade, a figura feminina, família e claro a metalinguagem. Em A Pele Que Habito, o diretor filma o terror, que por sinal nunca foi seu forte, adaptando o livro Tarantula, do escritor francês Thierry Jonquet e conseguiu fazer um filme que retrata claramente o nosso tempo. O terror de Almodóvar é sem sustos, gritos e se baseia no mal estar e não nas conseqüências dos atos, a loucura por si só já amedronta. A pele, o tecido e todas as possíveis conotações que a palavra nos oferece, é retratado no filme através de artistas como Louis Borgeois e no ótimo paralelo que ele faz com a cultura de moda atual. Com alguns figurinos de Jean Paul Gaultier, A Pele que Habito é uma ode a identidade ou a busca dela, seja através da moda ou da sexualidade, o importante é sempre sabermos quem somos ou aquilo que queremos ser, e isso Almodóvar sabe bem!



08/11/2011

Simbiose Gráfica














Umas das exposições que mais me chamou atenção foi a do Alex Flemming em 2004 no CCBB em Brasília. Não conhecia o trabalho desse artista e me identifiquei rapidamente com sua obra, uma vez que eu, um jovem estudante de arte e design gráfico na época, consegui ver claramente a simbiose desses dois universos estampadas através de cores e formas. O paulista consegue com uma extensa produção permear pelo corpo como suporte e como tema com tanta facilidade com que explora suas técnicas. São rostos, abdomens, peitos e retratos variados de uma força urbana impressionante. Dividindo a vida em duas das grande cidades artística do mundo, São Paulo e Berlim, Flemming utiliza das referências de cada uma delas pra construir sua arte, política, globalizada e sem dúvida nenhuma, interessantíssima.