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19/01/2012

O Amor, a Morte e as Paixões


É com muito orgulho e felicidade que nós do PLIE falamos dessa, que é sem dúvida, uma das melhores programações culturais da cidade em anos. A mostra "O Amor, a Morte e as Paixões" finalmente está de volta depois de um hiato que durou 7 anos com a promessa de integrar de maneira definitiva no calendário da cidade. A mostra que começou de maneira tímida no cinema Lumiére no shopping Bougainville teve a cada edição um grande número de espectadores fazendo com que o bom cinema fosse cada vez mais visto, discutido e apreciado. Dessa vez a mostra acontece a partir do dia 26 de janeiro e tem término no dia 9 de fevereiro com 60 filmes inéditos selecionados a dedo pelo curador, crítico e professor de cinema Lisandro Nogueira. Além da apresentação dos filmes, a mostra contará ainda com debates abertos ao público a respeito dos filmes mais importantes, sempre as 19 horas começando no dia 1º e terminando no dia 6. Os filmes serão exibidos com horários entre 13 horas e meia-noite e os ingressos poderão ser adquiridos antecipadamente a partir de amanhã, dia 20 de janeiro. A lista de filmes já foi divulgada e os destaques ficam por conta de alguns filmes que já falamos por aqui e que são sem dúvida imperdíveis! 




  • Riscado, de Gustavo Pizzi (Brasil)
  • Amor Chega Tarde, de Jan Schütte (Alemanha)
  • Que mais Posso Querer, de Silvio Soldini (Itália)
  • Saturno em Oposição, de Ferzan Ozpetek (Turquia)
  • L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância, de Bertrand Bonello (França)
  • Eslovênia Girl, de Damjuam Kozole (Eslovênia)
  • Inquietos, de Gus Van Sant (EUA)
  • Último Dançarino de Mao, de Bruce Beresford (Austrália)
  • As Flores de Kirkuk, de Fariborz Kamkari (Itália)
  • As Idades do Amor, de Giovanni Veronesi (Itália)
  • A Árvore, Julie Bertucelli (França)
  • Não Se Pode Viver Sem Amor, de Jorge Durán (Brasil)
  • Luzes na Escuridão, de Aki Kaurismäki (Finlândia)
  • Estranhos Normais, de Gabriele Salvatore (Itália)
  • Aproximação, de Amos Gitai (Alemanha)
  • O Homem que Não Dormia, de Edgar Navarro (Brasil)
  • Tomboy, de Céline Sciamma (França)
  • Triângulo Amoroso, de Tom Tykwer (Alemanha)
  • Submarino, de Thomas Vinterberg (Dinamarca)
  • Tudo Ficará Bem, de Christoffer Boe (Dinamarca)
  • Lola, de Brillante Ma. Mendoza (França)
  • Caminho para o Nada Auwe, de Monte Hellman (EUA)
  • O Vendedor, de Sébastien Pilote (Canadá)
  • Hiroshima – Um Musical Silencioso, de Pablo Stoll (Uruguai)
  • A Separação, de AsgharFarhadi (Irã)
  • Tetro, de Francis Ford Copolla (Itália)
  • Turnê, de Mathieu Amalric (França)
  • As Neves de Kilimanjaro, de Robert Guédiguian (França)
  • O Porto, de de Aki Kaurismäki (Finlândia)
  • Caro Francis, de Nelson Hoineff (Brasil)
  • O Homem que Amava as Mulheres, de Joann Sfar (França)
  • A Guerra Está Declarada, de Valérie Donzelli (França)
  • Poesia, de Chang-dong Lee (Coreia do Sul)
  • Adeus Primeiro Amor, de Mia Hansen-Love (França)
  • Românticos Anônimos, de Jean-Pierre Améris (França)
  • Isto Não é um Filme, de Jafar Panahi e Mojtaba Mirtahmasb (Irã)
  • A Chave de Sarah, de Mojtaba Mirtahmasb (Irã)
  • Dawson Ilha 10 – A Verdade sobre a Ilha de Pinochet, de Gilles Paquet-Brenner (França)
  • O Espião que Sabia Demais, de Tomas Alfredson (França)
  • O Conto Chinês, de Sebastián Borensztein (Argentina)
  • Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas, de Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)
  • Deixa Ela Entrar, de Tomas Alfredson (Suécia)
  • J. Edgar, de Clint Eastwood (EUA)
  • Cartas do Kuluene, de Pedro Novaes (Brasil)
  • Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Beto Brant (Brasil)
  • Reis e Ratos, de Mauro Lima (Brasil)
  • O Carteiro, de Reginaldo Faria (Brasil)
  • Casaelétrica.Doc, de Gustavo Fogaça (Brasil)
  • Simples Mortais, de Mauro Giuntini (Brasil)
  • Quebrando o Tabu, de Fernando Grostein Andrade (Brasil)
  • Mãe e Filha, de Petrus Cariry (Brasil)
  • Histórias Cruzadas, de Tate Taylor (EUA)
  • Réus, de Pablo Fernández (Brasil)
  • A Alegria, de Felipe Bragança e Marina Meliande (Brasil)
  • As Canções, de Eduardo Coutinho (Brasil)
  • As Mulheres do 6º Andar, de Philippe Le Guay (França)
  • Habemus Papam, de Nanni Moretti (Itália)
  • Beleza Adormecida, de Julia Leigh (Austrália)
  • Transeunte, de Eryk Rocha (Brasil)
  • Fausto, de Alexander Sokurov (Rússia)

11/01/2012

Tilda é Tilda!






O tema já foi abordado nos cinemas diversas vezes, e é incrível como cada diretor consegue exprimir sucos diferentes das mesma laranja. "Nós Precisamos Falar Sobre Kevin" de Lynne Ramsay narra a história da relação de uma mãe com um filho que com comportamentos estranhos e dissimulados desde pequeno se revela um assassino na adolescência e as conseqüências de seus atos irão repercutir diretamente na vida da protagonista. Tilda Swinton faz o papel da perturbada mãe e consegue uma atuação primorosa e sem exageros e que nesse começo de ano já renderam várias indicações de melhor atriz, sem modéstia. Tilda é de longe umas das melhores e mais instigantes atrizes de sua geração, com uma estética extremamente contemporânea e andrógina, Swinton não usa desses artifícios para crescer, sua simplicidade e minimalismo são o que a torna especial. "Nós Precisamos Falar Sobre Kevin" conta com uma ótima edição e trilha e alguns recursos visuais que completam a atmosfera do filme, mas sem dúvida é Tilda a carta na manga, e que carta! Dizem que o livro de Lionel Shriver em que filme foi baseado é tão bom quanto, ou seja, vale a dica dos dois!

26/12/2011

BEST OF!


Como de costume, todo final de ano surge no mundo virtual inúmeras listas de melhores e piores do ano. Aqui no Plie já virou tradição a nossa lista dos melhores filmes que assistimos no decorrer do ano. É claro que deixamos de ver muita coisa boa que sabíamos que poderia ter entrado mas tempo é sempre o grande vilão e nos impossibilita de fazer tudo o que gostaríamos. A maioria dos filmes da lista foram citados aqui no blog no ano de 2011 e agora segue todos eles em ordem de importância e claro, gosto! Divirtam-se e bom filme!


1- Drive - Nicolas Winding Refn
2- A Pele Que Habito - Pedro Almodóvar
3- O Homem ao Lado - Mariano Cohn e Gastón Duprat

4- Melancholia -  Lars Von Trier

5- Meia Noite Em Paris - Woody Allen

6- Incêndios - Denis Villeneuve

7- A árvore da Vida - Terrence Malick

8- Sleeping Beauty - Julia Leigh

9- Cópia Fiel - Abbas Kiarostami

10 -Begginers - Mike Mills


21/12/2011

Espelho de nós mesmos!





"A Outra Terra" é o típico filme indie, da história até a forma. O estreante na direção, o americano Mike Cahill, fez um filme sério, consciente e intrigante. Sua câmera na mão e o uso excessivo de zooms marcam uma forma autoral de filmar, típica de filmes independentes e mais do que isso, de diretores que, sem tanta pressão, conseguem mais liberdade ao filmar. "A Outra Terra" conta a história de Rhoda, interpretada incrivelmente por Brit Marling, uma jovem estudante de astrologia que por um discuido ao ver o céu acaba colidindo seu carro em uma família, levando todos a morte e ao coma do pai da família. Presa durante 4 anos Rhoda é solta e começa sua saga para tentar se redimir e se desculpar com o homem, que acordado do coma vive agora em depressão. Tudo isso soa batido e sem graça se não fosse o fato de que um outro planeta Terra, a quatro anos atrás, fora descoberto e que na verdade é um espelho do nosso, criando assim dúvidas e indagações a respeito de cada habitante e principalmente dos personagens centrais. Com uma belíssima fotografia e um trilha forte, "A Outra Terra" é um filme intrigante em conteúdo e belo em sua forma. Vencedor do festival de Sundance desse ano, o diretor Mike Cahill ainda tem muito a dizer. Recomendado!



15/12/2011

Filmaço!








Enquanto filhos é impressionante como não nos importa o passado de nossos pais. Somos egoístas ao ponto de desacreditarmos que nossos progenitores tiveram vidas antes de nós, tiveram histórias, e isso é uma grande bobagem mas que nos choca de uma maneira ou de outra quando descobrimos que eles não são quem pensávamos que fossem, para o bem ou para o mal. Incêndios é um filme canadense que conta a história de dois irmãos que na morte da mãe recebem uma tarefa de entregarem duas cartas, uma para o pai que até então eles achavam que estava morto e a outra pra um irmão que eles também não sabiam que existia. Com isso a história se desenrola na busca por esses parentes, e mais do que isso, na busca pela identidade dos filhos, no conhecimento real da história da mãe e de um país que eles se quer conheceram. Alternando em vários momentos da história do Líbano durante seus 40 anos de guerra religiosa e atrocidades, o filme nos conduz a um universo devastado pela sujeira e pelo preconceito, através de uma fotografia magistral e uma direção de arte que beira o angustiante. A música do Radiohead aqui serve como ponte para os tempos modernos e que nele será desvendado o mistério de maneira surpreendente e intensa que mudará a vida dos irmão para sempre.

28/11/2011

O melhor filme do ano!




O final do ano sempre nos rende grandes surpresas. Se no decorrer do ano o cinema mostra poucos títulos significativos, parece que nos últimos meses tudo muda e conseguimos ver grandes obras, que no final das contas faz o ano valer. Drive é um filme que surpreende. Dirigido pelo dinamarquês Nicolas Winding Refn, o filme conta a história de um anti-herói, dublê de filmes de ação, mecânico nas horas vagas e ótimo motorista mas que não tem história e que vive do seu presente, e é nesse presente que ele se mostra mais vivo e latente. Estrelado por Ryan Gosling (talvez hoje o melhor ator da sua geração) Drive é um ótimo estudo de personagem e consegue contar uma história com todas as referências do cinema americano que fizeram sucesso nos anos 80 mas que hoje, por mil motivos, já se encontra batido. É como se a câmera de Kubrick encontrasse a violência de Tarantino, só que sem o humor e tomasse um café com a realidade crua de Gaspar Noé, ou seja, a excelência na direção de Nicolas beira a perfeição. Com seus ótimos planos seqüências, sua estética fetichista e bem cuidada e a trilha com o mood certo, faz de Drive um filme moderno, muito moderno mas com perfume oitentista. O timming é perfeito e consegue desenrolar sua trama com facilidade e naturalidade, nada soa forçado ou pedante, o estilo cresce aos olhos e a excelente direção é comprovada quando nesse ano ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Drive é o melhor filme do ano e Ryan é sem dúvida nenhuma, O CARA!

17/11/2011

A busca pela identidade




Poucos artistas conseguem não somente criar obras incríveis mas também se tornarem um estilo. Almodóvar é um deles e conseguiu através de seu trabalho e personalidade criar um universo tão particular e inconfundível que tornou o cineasta não americano mais importante da atualidade, Almodóvar é agora adjetivo. Dividida claramente em duas partes, a filmografia de Almodóvar fala sempre das mesmas coisas porém se refinando a cada novo filme. Desde "A Flor do Meu Segredo" de 95 que o cineasta manera no trash  e se aventura a deixar seu cinema mais elegante, e de fato consegue. Seu novo filme resgata suas características mais marcantes:  as cores, o desejo, o mix de gêneros, maternidade, a figura feminina, família e claro a metalinguagem. Em A Pele Que Habito, o diretor filma o terror, que por sinal nunca foi seu forte, adaptando o livro Tarantula, do escritor francês Thierry Jonquet e conseguiu fazer um filme que retrata claramente o nosso tempo. O terror de Almodóvar é sem sustos, gritos e se baseia no mal estar e não nas conseqüências dos atos, a loucura por si só já amedronta. A pele, o tecido e todas as possíveis conotações que a palavra nos oferece, é retratado no filme através de artistas como Louis Borgeois e no ótimo paralelo que ele faz com a cultura de moda atual. Com alguns figurinos de Jean Paul Gaultier, A Pele que Habito é uma ode a identidade ou a busca dela, seja através da moda ou da sexualidade, o importante é sempre sabermos quem somos ou aquilo que queremos ser, e isso Almodóvar sabe bem!



03/11/2011

Beleza Misteriosa!





Quando falamos aqui do festival de CANNES e dos filmes mais interessantes da competição esse ano, um em particular nos chamou atenção. Sleeping Beauty abriu o festival esse ano causando um certo alvoroço. Julia Leigh é uma cineasta estreante, que já fez fama através dos seus livros e agora navega em novas linguagens para mostrar seu terreno extremamente feminino e sensual. Esse universo, aliás, é algo que nos intriga bastante. Sofia Coppola já caminha por ele já faz um tempo e consegue nos transportar por imagens contemplativas e delicadamente bonitas. Nesse Sleeping Beauty, Leigh consegue essa graça mas com um agoniante e instigaste pano de fundo, no qual sua protagonista mergulha num universo de sexo, luxúria e muito suspense. Cheio de enquadramentos soberbos e uma simetria absurda, o filme esconde mais do que mostra e comprova que Julia Leigh, assim como Sofia, tem um mundo inteiro pela frente e beleza nele é o que não falta.
Para baixar o filme clique aqui!

14/09/2011

Filosofia Imagética




Quando comecei minha terapia, a primeira coisa que me veio a cabeça foi de que a figura da minha falecida mãe seria o foco de grande parte da análise. Como fui ingênuo. Pela minha surpresa, grande parte da terapia foi destinada ao meu pai e a relação que tive com ele. Certa vez minha analista disse: Fernando, seu pai foi o pai que ele poderia ter sido, e isso já é muita coisa". Foi com essa frase que o filme "A Árvore da Vida" fez mais sentido pra mim e o quanto de maneira única, bela e reflexiva ele me conquistou.

Depois de quase um mês de espera, o filme estreiou em Goiânia em apenas uma sala e com dois horários. Prova de que os cinemas da capital ainda não confiam no gosto do espectador daqui. Surpreendentemente a sala estava lotada, o que meu deixou animado, mas bastou 10 minutos de filme para perceber a indignação e frustração de grande parte da platéia. A verdade é que o filme não é fácil. Narrado de maneira não cronológica, alternando momentos de extrema contemplação visual e sonora, "A Árvore da Vida" de fato merece atenção e disposição do espectador. Filmado muitas vezes de baixo pra cima, como se evocasse a todo momento a grandeza do infinito e nossa irrelevância perante a natureza, o filme filosofa com questão que todos nós passamos, uma vez ou outra. Passagem, por sinal, é outro ponto eminente em "A Árvore da Vida", uma vez que, abusa de travellings durante todo filme seja nas imagens da natureza ou nas passagens pela família representada, como se mostrasse o ciclo natural da vida e sua constante mutação.

As inacreditáveis imagens comprovam mais uma vez que cinema é imagem e que elas podem falar muito mais do que palavras. Filosofia imagética que hoje em dia se faz tão necessário. E para o casal que sentou ao meu lado no cinema e que no fim da projeção soltou a seguinte e infame frase: "duas horas perdidas ouvindo música e vendo imagem, que bosta de filme" vai um conselho: está passando Cowboys & Aliens na sala ao lado, mas lá também terá sons e imagens só que diferente daqui será para te tapear. Bom filme.

08/08/2011

Pessimismo Belo


Tempos atrás falamos aqui sobre o novo filme de Lars Von Trier, Melancholia, e o quanto a filmografia desse diretor dinamarquês é importante. Pois bem, seu último filme estreiou em circuito nacional e eu, Fernando, decidi assistir, ficando muito feliz em perceber o cinema lotado para ver um filme que aparentemente, mais comercial que os demais do diretor, conseguiu reunir uma boa platéia que até então permaneceu firme na sala, com apenas uma desistência. Melancholia conta a história de duas irmãs e suas reações diante de um planeta que está a caminho da Terra. Dividido de maneira habitual por Von Trier, em prólogo e capítulos, dando assim uma tom fabuloso a obra, o filme em seu prólogo mostra cenas em câmera super lenta, de quase 10 minutos, dando pistas da relação de tempo que será estabelecida durante toda a projeção. O primeiro capítulo denominado Justine, narra o casamento da personagem e uma lavação de roupa suja que nos lembra "A Festa de Família" do seu amigo Thomas Vintenberg. Com a câmera na mão, o diretor filma de maneira crua a depressão da personagem e sua dificuldade em aceitar os fatos que a cercam. Já no segundo, a narrativa se foca em Claire, e que em oposição a irmã Justine (que agora começa a se recompor) se descontrola com a iminência do fim do mundo. Com seu pessimismo habitual, Von Trier narra mais uma vez, seguindo os caminhos de Anticristo, a depressão e como ela corrói os personagens mas aqui, o final é mais positivo. A espera no filme é colocado em evidência, com um desenrolar lento e contemplativo, Von Trier nos força a esperar, como seus personagens, o dia a dia das coisas através de muitos simbolismos. Entender o tempo se faz necessário e abraçar o sofrimento para conseguir a redenção é louvável.


04/08/2011

Arquitetura e Civilidade



Alguns posts atrás falamos sobre a importância do cinema argentino para a 7º arte e o filme argentino "O Homem ao Lado" mais uma vez comprova sua excelência. Muito se fala das diferenças entre o cinema brasileiro e o argentino e o porque das obras do nosso vizinhos serem consideradas mais interessantes do que as nossas, na maioria das vezes. A verdade é que, o Brasil ainda não conseguiu filmar a classe média, filmes de sucesso aqui muitas vezes mostram a miséria, favela, desgraça, se não filmados como objetos principais, quase sempre são o pano de fundo. O cinema argentino pelo contrário, gosta da simplicidade e do cotidiano classe média para mostrar sua realidade. Talvez a situação financeira do país permita isso. O Homem ao Lado é um ótimo exemplo. Um dos filmes argentinos mais premiados do país, conta a história de Leonardo, um arrogante designer que mora na única casa construída pelo mestre da arquitetura modernista, Le Corbusier, em Buenos Aires e que inicia uma guerra fria com o seu novo e estranho vizinho que decide abrir uma janela em frente a sua casa. O humor negro do filme e sua estupenda fotografia acaba deixando o assunto mais leve, mesmo tratando de forma delicada de problemas sérios como privacidade, uma pitada aqui e ali de crítica a sociedade americana e claro urbanismo e o nosso senso de civilidade que está a cada dia mais desaparecendo. Arquitetos de plantão, esse filme é indispensável!



22/07/2011

Lucrecia para MIU MIU


A Menina Santa - 2004

O Pântano - 2001



Há muito tempo queríamos falar sobre o cinema argentino aqui no blog e o porquê dele ser considerado um dos melhores atualmente. Essa vontade se deu por um filme que vimos semana passada e que falaremos dele com mais calma em um outro momento. Agora, o gancho partiu do novo vídeo da MIU MIU para sua nova coleção. MUTA é um curta dirigido pela cineasta argentina Lucrecia Martel e conta a história de seres mutuantes que se vestem com a marca italiana com uma certa naturalidade e muita elegância. Nunca mostrando o rosto, as "mulheres" da Miu Miu emitem estranhos sons e se comportam de maneira bem esquisita.
Se tudo isso te chamou atenção, a filmografia dessa diretora não pode passar despercebida. Considerada hoje uma das diretoras mais influentes do mundo, Lucrecia surpreendeu com o excepcional O Pântano, no qual mostra a realidade decadente da argentina através de uma família caótica e decadente. Considerado por muitos um dos filmes mais incríveis dos anos 2000, O Pântano é angustiante e com uma esteticamente soberba. Logo em seguida filmou A Menina Santa, que foi muitíssimo elogiado e aguardado, no qual temas como, sexo, religião e pedofilia andam juntos com a denúncia social. Seu último longa, A Mulher Sem Cabeça foi pouco visto mas não menos interessante. Com uma narrativa impregnante e curiosa, o filme nos leva a pensar sem muitas respostas. O que hoje em dia é essencial para um bom filme, aliás para moda, para arte, para vida!

18/07/2011

Surpresa Boa!





"Mais importante do que ter sintonia com a outra pessoa é ter vontade, de ambas as partes, de se encantarem e quererem estar juntas, porque juntas elas são melhores do que separadas" Essa frase retirada de um blog de cinema escrito por Alessandra Hernandez resume muito bem o magnífico filme "Jack Goes Boating" dirigido e estrelado por um dos maiores atores do nosso tempo, Philip Seymour Hoffman. O filme conta a história de um tímido rapaz interpretado por Hoffman que decide, com ajuda de um casal de amigos, a se relacionar com Connie, uma mulher tão complicada quanto o seu possível futuro parceiro. Com um roteiro simples e direto, ótimos diálogos, um elenco correto e uma trilha sonora que engrandece ainda mais o filme, Jack Goes Boating comprava que menos é mais. O final surpreendente faz terminar a sessão com aquela sensação de surpresa boa!


22/06/2011

Tempos que não voltam mais!




A negação de viver o presente e se atrelar a nostalgia é algo comum. A moda ironicamente gosta de fazer isso, se apega as referências do passado para vestir um futuro, mesmo soando contraditório pelo fato da moda sempre estar ligada muitas vezes ao novo. Se pensarmos que outras épocas foram melhores que as nossas e que nelas seríamos mais felizes pode parecer frustrante mas não deixa de fantasiar desejos e pintar possibilidades, mesmo que irreais, claro. Woody Allen faz isso muito bem em seu novo filme, "Meia Noite Em Paris" no qual narra a história de um frustrado escritor americano que descobre seu fascínio pela cidade luz e se vê ludibriado e transportado de maneira fantasiosa para a Paris dos anos 20. Com ótimas tiradas, que nos remetem diretamente ao neurótico diretor, o protagonista encara uma jornada cultural invejosa e que somente aqueles que se permitem viver dessa forma conseguiriam fazer com tamanha felicidade, sendo neuróticos ou não. Portanto se permita!



25/05/2011

Festival pra gente grande!




Sleeping Beauty, de Julia Leigh 




La Piel Que Habito, de Pedro Almodóvar




 O Garoto de Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne 



Once Upon A Time In Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan


Quando o o festival de cinema de Cannes começou, pensamos em fazer aqui uma lista de filmes importantes que concorreriam a Palma de Ouro pois Cannes é, de longe, um dos melhores festivais de cinema no mundo e de lá sempre saem filmes que serão aplaudidos, amados ou odiados no restante do planeta. Passado o festival com seu charme habitual eis que a lista dos vencedores foi anunciada. O vencedor da Palma de Ouro foi "A Árvore da Vida", filme do diretor Terrence Malick que falamos aqui que seria uma grande e boa surpresa do cinema esse ano. O prêmio que nos deixou surpresos foi o de melhor atriz para Kirsten Dunst, por Melancholia, de Lars Von Trier que também postamos aqui como uma grande aposta. Surpresa pelo fato de Dunst nunca ter sido uma grande atriz, e sim mediana, e pegar logo um filme de Von Trier não é uma tarefa fácil. O grande prêmio foi para dois filmes:  O Garoto de Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne & Once Upon A Time In Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan. Os filmes dos irmãos Dardenne são habituais em Cannes e sempre possuem um olhar seco e duro da realidade, características fáceis de encontrar no cinema europeu. Os filmes que ficaram de fora da premiação também merecem destaque, uma vez que, quase levaram o prêmio maior, segundo Robert De Niro, um dos jurados do festival. O novo filme, La Piel Que Habito, de Pedro Almodóvar, até então favorito no festival, ficou quase que empatado com Sleeping Beauty, de Julia Leigh mas "A Árvore da Vida" reinou. Resta agora esperar pela estréia que está marcada para 3 de junho no Brasil.

17/05/2011

Cinema Chic!






Desde a estréia contundente de TOM FORD no cinema, com o ótimo A Single Man, trabalhar imagens de moda dentro do cinema, se tornou trend. Com a massificação do vídeo e o poder de persuassão e abrangência que essa nova mída proporciona, cada vez mais a imagem de moda se aproxima do cinema. E se cinema é imagem, nada mais justo do que pessoas que trabalham com esse universo imagético se sentirem mais atraídas pela sétima arte. Karl Lagerfeld dirigiu, produziu e concebeu "A Tale of Fairy", um curta que foi apresentado no  lançamento da coleção Chanel Cruise 2011. No filme, cada cena é esteticamente tão bem trabalhada que tudo parece sair de um photoshoot de moda e essa preocupação, para quem faz cinema, é primordial, ou ao menos, deveria ser. Com ironia sutil e elegância ao extremo, Lagerfeld prova mais uma vez que sabe o que faz. 

18/04/2011

Terrence Malick está de volta!




Terrence Malick é um diretor pouco conhecido, também não é pra menos, sua curta filmografia consta apenas cinco títulos e são filmes com um olhar bem diferente do que Hollywood está acostumado a ter. Seu filme mais famoso foi o estupendo "Além da Linha Vermelha" que mostra de maneira tocante e sem os clichê de filmes de guerra o dia de soldados na Batalha de Guadalcana na II Guerra Mundial. Depois, filmou em 2005 "O Novo Mundo", um filme de aventura que não foi muito aceito pelos fãs e pela crítica mas que ainda sim mostrava cuidado estético e sensibilidade apurada. Seu novo filme "A Árvore da Vida" promete trazer Malick novamente para o foco. Com enredo focado na vida de um jovem e suas descobertas, dúvidas e incertezas a respeito da vida e das relações familiares, o novo filme do diretor vem com a certeza de que lindo no mínimo será! 

11/04/2011

Oceans










Pode parecer boring e talvez para algumas pessoas até seja, mas assistir a OCEANS é uma experiência que nos faz perceber o quão pequenos somos perante a natureza. A Disney Nature é uma série de documentários que começou com EARTH mostrando cenas nunca antes vistas pelo homem a respeito do planeta Terra. Dessa vez o universo dos oceanos é retratado com tanta beleza e tecnologia que fica difícil saber se é ou não real. É impressionante a qualidade de som e imagem e de como tudo isso foi capturado em ambientes de difícil acesso. Pena ter perdido essa experiência em 3d e em tela grande, com certeza faria toda diferença.

08/04/2011

O anticristo Lars Von Trier está de volta!

Dançando no Escuro_2000

Dogville_2003


Anticristo_2009

Manderley_2005

Melancholia_2011



 Lars Von Trier é um diretor visionário, não no sentido de vislumbrar o futuro mas de conceber obras tão instigantes e autorais como poucos diretores atuais. Von Trier não é jovem, começou a filmar muito cedo e possui uma extensa e importante filmografia e um gênio difícil segundo Holywood. Esse diretor dinamarquês fez fama quando se juntou ao diretor Thomas Vinterberg inaugurando o movimento DOGMA 95, no qual é estabelecido 10 regras de filmagens e que acabou rendendo um único filme, Os Idiotas, que segue esses princípios.
 Seus filmes mais atuais possuem características formais muito peculiares adquiridos no período Dogma, como sua incessante necessidade de realismo fazendo de seus filmes uma verdadeira experiência cinematográfica, dentro e fora do cinema. Seu apelo crítico e sua quase sempre insatisfação e depressão com o mundo são temas recorrentes vistos no ótimo Dançando no Escuro, por exemplo, que traz Bjork dançando, cantando e interpretando, e claro, fugindo do set de filmagem e gritando para os quatro cantos do mundo que jamais trabalharia novamente com Von Trier.
 Von Trier sentiu necessidade de expressar uma forte crítica contra os EUA sem nunca ter pisado no país. Essa repúdia se transformou em um dos seus melhores filmes, Dogville. Filmado com características naturalistas, Dogville tem Nicole Kidman como protagonista de uma odisséia quase que teatral se desdobrando em uma trilogia sobre o país do tio Sam. Manderley é o segundo da trilogia que ainda espera pelo último filme da série.
 Seu último filme Anticristo foi o mais comentado no festival de Cannes em 2009 e gerou controvérsias no mundo inteiro. O diretor declarou que foi um martírio filmar Anticristo devido a um forte período de depressão retratado diretamente e explicitamente no filme. Forte, agressivo, sexual e extremamente simbólico, Anticristo é para poucos, mas indispensável.
  Toda essa trajetória, resumida é verdade, é para mostrar que Von Trier está aí novamente com seu novo longa, Melancholia. O filme retrata um certo grupo de pessoas e como elas lidam com o fim do mundo, pelo simples fato de descobrirem que a Terra irá se chocar com outro planeta. Pode soar absurdo, mas isso nas mãos de quem sabe fazer, talvez funcione magistralmente bem. Com um elenco estrelar esse filme promete ser, como muitos de Von Trier, soberbo.

04/04/2011

Exit Through the Gift Shop






O mundo das artes sempre foi contraditório e muitas vezes, para maioria das pessoas, inatingível, distante e uma viagem alucinante que só os artistas que concebem as obras conseguem entendê-las. Digo isso principalmente no que diz respeito a arte contemporânea, aquela que parece não fazer sentido e que teoricamente qualquer um poderia fazer. O documentário Exit Through the Gift Shop, dirigido pelo street artist inglês Banksy permite analisarmos de maneira engraçada e ácida a história do fenômeno videomaker, Thierry Guetta (responsável pela capa do último álbum da Madonna), que decide acompanhar a vida dos maiores e melhores artistas de rua do mundo, e que, de um dia pra noite se transforma em um artista conhecido mundialmente. Essa empreitada nos dá pistas para pensarmos no papel da arte hoje e como a sociedade e o artbusiness consegue muitas vezes inverter os papéis. Com um bom exercício de metalinguagem, Banksy constrói uma narrativa interessante que nos surpreende pelos rumos tomados pela história. Deixando a cargo do espectador, com uma pitada de tendencionismo, o real motivo de ter feito o filme. Banksy é realmente um gênio!