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08/08/2011

Pessimismo Belo


Tempos atrás falamos aqui sobre o novo filme de Lars Von Trier, Melancholia, e o quanto a filmografia desse diretor dinamarquês é importante. Pois bem, seu último filme estreiou em circuito nacional e eu, Fernando, decidi assistir, ficando muito feliz em perceber o cinema lotado para ver um filme que aparentemente, mais comercial que os demais do diretor, conseguiu reunir uma boa platéia que até então permaneceu firme na sala, com apenas uma desistência. Melancholia conta a história de duas irmãs e suas reações diante de um planeta que está a caminho da Terra. Dividido de maneira habitual por Von Trier, em prólogo e capítulos, dando assim uma tom fabuloso a obra, o filme em seu prólogo mostra cenas em câmera super lenta, de quase 10 minutos, dando pistas da relação de tempo que será estabelecida durante toda a projeção. O primeiro capítulo denominado Justine, narra o casamento da personagem e uma lavação de roupa suja que nos lembra "A Festa de Família" do seu amigo Thomas Vintenberg. Com a câmera na mão, o diretor filma de maneira crua a depressão da personagem e sua dificuldade em aceitar os fatos que a cercam. Já no segundo, a narrativa se foca em Claire, e que em oposição a irmã Justine (que agora começa a se recompor) se descontrola com a iminência do fim do mundo. Com seu pessimismo habitual, Von Trier narra mais uma vez, seguindo os caminhos de Anticristo, a depressão e como ela corrói os personagens mas aqui, o final é mais positivo. A espera no filme é colocado em evidência, com um desenrolar lento e contemplativo, Von Trier nos força a esperar, como seus personagens, o dia a dia das coisas através de muitos simbolismos. Entender o tempo se faz necessário e abraçar o sofrimento para conseguir a redenção é louvável.


25/05/2011

Festival pra gente grande!




Sleeping Beauty, de Julia Leigh 




La Piel Que Habito, de Pedro Almodóvar




 O Garoto de Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne 



Once Upon A Time In Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan


Quando o o festival de cinema de Cannes começou, pensamos em fazer aqui uma lista de filmes importantes que concorreriam a Palma de Ouro pois Cannes é, de longe, um dos melhores festivais de cinema no mundo e de lá sempre saem filmes que serão aplaudidos, amados ou odiados no restante do planeta. Passado o festival com seu charme habitual eis que a lista dos vencedores foi anunciada. O vencedor da Palma de Ouro foi "A Árvore da Vida", filme do diretor Terrence Malick que falamos aqui que seria uma grande e boa surpresa do cinema esse ano. O prêmio que nos deixou surpresos foi o de melhor atriz para Kirsten Dunst, por Melancholia, de Lars Von Trier que também postamos aqui como uma grande aposta. Surpresa pelo fato de Dunst nunca ter sido uma grande atriz, e sim mediana, e pegar logo um filme de Von Trier não é uma tarefa fácil. O grande prêmio foi para dois filmes:  O Garoto de Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne & Once Upon A Time In Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan. Os filmes dos irmãos Dardenne são habituais em Cannes e sempre possuem um olhar seco e duro da realidade, características fáceis de encontrar no cinema europeu. Os filmes que ficaram de fora da premiação também merecem destaque, uma vez que, quase levaram o prêmio maior, segundo Robert De Niro, um dos jurados do festival. O novo filme, La Piel Que Habito, de Pedro Almodóvar, até então favorito no festival, ficou quase que empatado com Sleeping Beauty, de Julia Leigh mas "A Árvore da Vida" reinou. Resta agora esperar pela estréia que está marcada para 3 de junho no Brasil.

08/04/2011

O anticristo Lars Von Trier está de volta!

Dançando no Escuro_2000

Dogville_2003


Anticristo_2009

Manderley_2005

Melancholia_2011



 Lars Von Trier é um diretor visionário, não no sentido de vislumbrar o futuro mas de conceber obras tão instigantes e autorais como poucos diretores atuais. Von Trier não é jovem, começou a filmar muito cedo e possui uma extensa e importante filmografia e um gênio difícil segundo Holywood. Esse diretor dinamarquês fez fama quando se juntou ao diretor Thomas Vinterberg inaugurando o movimento DOGMA 95, no qual é estabelecido 10 regras de filmagens e que acabou rendendo um único filme, Os Idiotas, que segue esses princípios.
 Seus filmes mais atuais possuem características formais muito peculiares adquiridos no período Dogma, como sua incessante necessidade de realismo fazendo de seus filmes uma verdadeira experiência cinematográfica, dentro e fora do cinema. Seu apelo crítico e sua quase sempre insatisfação e depressão com o mundo são temas recorrentes vistos no ótimo Dançando no Escuro, por exemplo, que traz Bjork dançando, cantando e interpretando, e claro, fugindo do set de filmagem e gritando para os quatro cantos do mundo que jamais trabalharia novamente com Von Trier.
 Von Trier sentiu necessidade de expressar uma forte crítica contra os EUA sem nunca ter pisado no país. Essa repúdia se transformou em um dos seus melhores filmes, Dogville. Filmado com características naturalistas, Dogville tem Nicole Kidman como protagonista de uma odisséia quase que teatral se desdobrando em uma trilogia sobre o país do tio Sam. Manderley é o segundo da trilogia que ainda espera pelo último filme da série.
 Seu último filme Anticristo foi o mais comentado no festival de Cannes em 2009 e gerou controvérsias no mundo inteiro. O diretor declarou que foi um martírio filmar Anticristo devido a um forte período de depressão retratado diretamente e explicitamente no filme. Forte, agressivo, sexual e extremamente simbólico, Anticristo é para poucos, mas indispensável.
  Toda essa trajetória, resumida é verdade, é para mostrar que Von Trier está aí novamente com seu novo longa, Melancholia. O filme retrata um certo grupo de pessoas e como elas lidam com o fim do mundo, pelo simples fato de descobrirem que a Terra irá se chocar com outro planeta. Pode soar absurdo, mas isso nas mãos de quem sabe fazer, talvez funcione magistralmente bem. Com um elenco estrelar esse filme promete ser, como muitos de Von Trier, soberbo.