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14/09/2011

Filosofia Imagética




Quando comecei minha terapia, a primeira coisa que me veio a cabeça foi de que a figura da minha falecida mãe seria o foco de grande parte da análise. Como fui ingênuo. Pela minha surpresa, grande parte da terapia foi destinada ao meu pai e a relação que tive com ele. Certa vez minha analista disse: Fernando, seu pai foi o pai que ele poderia ter sido, e isso já é muita coisa". Foi com essa frase que o filme "A Árvore da Vida" fez mais sentido pra mim e o quanto de maneira única, bela e reflexiva ele me conquistou.

Depois de quase um mês de espera, o filme estreiou em Goiânia em apenas uma sala e com dois horários. Prova de que os cinemas da capital ainda não confiam no gosto do espectador daqui. Surpreendentemente a sala estava lotada, o que meu deixou animado, mas bastou 10 minutos de filme para perceber a indignação e frustração de grande parte da platéia. A verdade é que o filme não é fácil. Narrado de maneira não cronológica, alternando momentos de extrema contemplação visual e sonora, "A Árvore da Vida" de fato merece atenção e disposição do espectador. Filmado muitas vezes de baixo pra cima, como se evocasse a todo momento a grandeza do infinito e nossa irrelevância perante a natureza, o filme filosofa com questão que todos nós passamos, uma vez ou outra. Passagem, por sinal, é outro ponto eminente em "A Árvore da Vida", uma vez que, abusa de travellings durante todo filme seja nas imagens da natureza ou nas passagens pela família representada, como se mostrasse o ciclo natural da vida e sua constante mutação.

As inacreditáveis imagens comprovam mais uma vez que cinema é imagem e que elas podem falar muito mais do que palavras. Filosofia imagética que hoje em dia se faz tão necessário. E para o casal que sentou ao meu lado no cinema e que no fim da projeção soltou a seguinte e infame frase: "duas horas perdidas ouvindo música e vendo imagem, que bosta de filme" vai um conselho: está passando Cowboys & Aliens na sala ao lado, mas lá também terá sons e imagens só que diferente daqui será para te tapear. Bom filme.

25/05/2011

Festival pra gente grande!




Sleeping Beauty, de Julia Leigh 




La Piel Que Habito, de Pedro Almodóvar




 O Garoto de Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne 



Once Upon A Time In Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan


Quando o o festival de cinema de Cannes começou, pensamos em fazer aqui uma lista de filmes importantes que concorreriam a Palma de Ouro pois Cannes é, de longe, um dos melhores festivais de cinema no mundo e de lá sempre saem filmes que serão aplaudidos, amados ou odiados no restante do planeta. Passado o festival com seu charme habitual eis que a lista dos vencedores foi anunciada. O vencedor da Palma de Ouro foi "A Árvore da Vida", filme do diretor Terrence Malick que falamos aqui que seria uma grande e boa surpresa do cinema esse ano. O prêmio que nos deixou surpresos foi o de melhor atriz para Kirsten Dunst, por Melancholia, de Lars Von Trier que também postamos aqui como uma grande aposta. Surpresa pelo fato de Dunst nunca ter sido uma grande atriz, e sim mediana, e pegar logo um filme de Von Trier não é uma tarefa fácil. O grande prêmio foi para dois filmes:  O Garoto de Bicicleta, de Jean-Pierre e Luc Dardenne & Once Upon A Time In Anatolia, de Nuri Bilge Ceylan. Os filmes dos irmãos Dardenne são habituais em Cannes e sempre possuem um olhar seco e duro da realidade, características fáceis de encontrar no cinema europeu. Os filmes que ficaram de fora da premiação também merecem destaque, uma vez que, quase levaram o prêmio maior, segundo Robert De Niro, um dos jurados do festival. O novo filme, La Piel Que Habito, de Pedro Almodóvar, até então favorito no festival, ficou quase que empatado com Sleeping Beauty, de Julia Leigh mas "A Árvore da Vida" reinou. Resta agora esperar pela estréia que está marcada para 3 de junho no Brasil.

18/04/2011

Terrence Malick está de volta!




Terrence Malick é um diretor pouco conhecido, também não é pra menos, sua curta filmografia consta apenas cinco títulos e são filmes com um olhar bem diferente do que Hollywood está acostumado a ter. Seu filme mais famoso foi o estupendo "Além da Linha Vermelha" que mostra de maneira tocante e sem os clichê de filmes de guerra o dia de soldados na Batalha de Guadalcana na II Guerra Mundial. Depois, filmou em 2005 "O Novo Mundo", um filme de aventura que não foi muito aceito pelos fãs e pela crítica mas que ainda sim mostrava cuidado estético e sensibilidade apurada. Seu novo filme "A Árvore da Vida" promete trazer Malick novamente para o foco. Com enredo focado na vida de um jovem e suas descobertas, dúvidas e incertezas a respeito da vida e das relações familiares, o novo filme do diretor vem com a certeza de que lindo no mínimo será!